sexta-feira

Reinações de Narizinho - 1933




Esta é a segunda edição de ""As Reinações de Narizinho", publicada em 1931; esta nova edição, além de alterações no texto e supressão do artigo no título, foi dividida em 2 volumes, sendo o segundo chamado de "Novas Reinações de Narizinho".


Na quarta edição o livro já volta a ser editado em um único volume.

Miolo íntegro, lombadas com perdas. Livro original, nunca foi encadernado ou restaurado.


Jéca Tatuzinho - 1925


Este é um raro exemplar da primeira edição do "Jeca Tatuzinho" para o Laboratório Fontoura.




Adaptação do célebre personagem criado em 1914, a história também teve edições publicadas pelo próprio Lobato.

terça-feira

Idéas de Géca Tatú - 1919




A propósito de seu  livro Idéas de Géca Tatu, Lobato comenta em carta ao amigo Godofredo Rangel sobre os problemas que um escritor-editor topa pelo caminho:

“(...) Faço livros e vendo-os porque há mercado para a mercadoria (...). E timbro em avisar ao leitor de que não sei a língua. Se por acaso algum dia fizer outro livro, hei-de usar aqueles letreiros das fitas:

  Contos de Monteiro Lobato, com pronomes por
  Alvaro Guerra; com a sintaxe visada por José
  Feliciano e a prosódia garantida no tabelião por 
  Eduardo Carlos Pereira. As virgulas são do 
  insigne virgulografo Nunalvares, etc.


Tudo gente da mais alta especialização – e a critica que se engalfinhe com eles. Isso, para não haver hipotese de me sair coisa vergonhosa como a primeira edição de Ideias de Jéca Tatú. Não houve o que não houvesse na impressão desse livro. Era numa oficina no largo do Arouche que estava de mudança, e era o ultimo trabalho que atamancavam lá. Quando vim a saber e quis acudir ao coitadinho, era tarde. Fui lá de noite. Encontrei o único prelo ainda não mudado rodando na impressão da primeira folha. Pedi que parassem para eu examinar o serviço. Li varias paginas e corei até á raiz da alma. Não tinham feito revisão nenhuma. Erros indecorosos pululavam ali como pulga em cachorro sarnento. Corrigi o que pude. Era composição manual – uns tipos velhos, desbeiçados, indecentes. Tudo indecente. Estive lá até meia noite caçando pulgas no resto, mas desanimei: havia mais pulgas do que estrelas no ceu. Mandei tudo para o inferno e fui dormir.
(...) Sabe como se chama isso? Relaxamento, desordem, má organização. E foi bom que viesse em livro meu. (...) Minha vergonha é daquelas que levavam os antigos a cobrir a cabeça de cinzas. Na India parece que num caso assim o sujeito besunta-se com bosta de vaca. Aqui, o cinico permanece com a mesma cara de sempre e embolsa os lucros da infamia...
 Adeus. Um abraço do sordido, indecoroso 
                                                                                            LOBATO”


                                                                                                 In: A Barca de Gleyre, pp. 211, 212. Ed. Brasiliense, 1951.


Nessa época a indústria editorial ainda ensaiava os primeiros passos no rumo da industrialização e Lobato seria o responsável por esse avanço.
Imagens: primeira edição, brochura original, editado pela Revista do Brasil


sábado

As caçadas de Pedrinho - 1933




Um dos mais raros livros de Lobato, onde aparece como personagem a menina Cléo, filha de Octalles Marcondes Ferreira, mineiro que começou como contínuo na Revista do Brasil e logo se tornou sócio de Lobato.

A gênese dessa obra foi "A caçada da onça", escrita em 1924, e que serviu de primeira parte de "As caçadas de Pedrinho". Nesse livro surge o rinoceronte que faria parte do bandinho.

É uma ds obras em que Lobato mais ridiculariza a burocracia, a corrupção e a inépcia do governo. Mais de uma vez diz que Dona Benta era oposicionista, fato que desaparece nas edições posteriores.

Na primeira edição desse livro, uma curiosa nota recheada de ironia, fala sobre a criação de mais um selo (na época uma das formas de arrecadação fiscal).

As ilustrações são uma atração à parte, no traço elegante de Villin.

Hans Staden


Escrito em 1927, era uma adptação da história do alemão que viveu entre índios antropófagos do Brasil.

Um ano antes Lobato já havia publicado para adultos o primeiro livro que falava sobre o Brasil e, curiosamente, o primeiro escrito para sua nova editora: a Companhia Editora Nacional.

quarta-feira

El Comprador de Haciendas, 1923


Tradução de contos por Benjamin de Garay.

Ficha:

1923

Editorial Cervantes - Barcelona

150 páginas

Narizinho Arrebitado - 1921


Esta é a edição escolar da história de Narizinho, e merece ser contada pois é ilustrativa do idealismo e impetuosidade de Lobato.

Empolgado com seu sucesso como escritor e a surpreendente saída de seus livros, Lobato resolve arriscar no livro escolar, sem dúvida o maior filão do mercado editorial.

Certamente superestimando sua fama, refundiu "A Menina do Narizinho Arrebitado", encomendou uma edição de custo menor, sem gravuras coloridas, em papel jornal. Porém, ao invés de imprimir 5 ou 10 mil exemplares, o que já seria uma tiragem extremamente alta para a época, num arroubo manda fazer 50500 exemplares!

Assustado com os "narizes" que encheram o escritório da Revista, os depósitos e até o porão de sua casa, Lobato toma 500 livrinhos e manda distribuir aos colégios paulistas. Como ele mesmo confessava depois, existe um deus para os bêbados e os inocentes: numa visita de inspeção escolar, o então governador Washington Luiz fica intrigado com o interesse das crianças em um livrinho gasto de tanto ser manuseado.

Manda o secretário Alarico Silveira encontrar o autor e fazer uma compra para todos os colégios do estado. Pois foi o que fez Alarico: ligou para Lobato e disse que o Governo queria comprar "Narizinho"; perguntado sobre a quantidade e informado que o estoque era imenso, o secretário pilheriou: "Ora, mande aí uns trinta mil."

Pois no dia seguinte um aturdido Alarico ligava para Lobato, dizendo que não tinha onde colocar tantos livros, que achava que o escritor estava blefando.

Foi assim que em poucos meses a "avalanche nasal" se esgotou, deixando um belo lucro ao intrépido editor.